| O Poder das Metáforas |
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O caminho do bezerro Conta-se que um bezerro se perdeu da sua manada e embrenhou-se numa floresta. Andou durante vários dias, sem conseguir encontrar uma forma de retornar ao seu grupo. Começou a se acostumar com a vidinha tranquila da floresta, mas continuava com muita vontade de voltar pra casa. Iniciou uma trilha, em cÃrculos, muitos cÃrculos, subindo e descendo as montanhas, derrubando pequenas árvores e abrindo veredas, até que, depois de muito rodar, percebeu-se à margem da floresta, feliz, avistou o seu rebanho. Outros animais acharam o caminho do bezerro e passaram a utilizá-lo. Manadas inteiras e outros bandos de animais acharam prático o caminho que o bezerro abriu e, também começaram a usufruir dele. Viajantes, com suas carroças descobriram que não precisariam mais derrubar árvores para atravessar a floresta: bastaria seguir o caminho do bezerro. Os tempos mudaram, vieram os primeiros automóveis... o caminho do bezerro se transformou numa estreita estrada margeada pela floresta. Os desbravadores e exploradores resolveram se firmar no trecho da floresta onde era cortada pelo antigo caminho do bezerro, que, agora, já era uma rodovia asfaltada, palco de um comércio bem diversificado. Ao londo dessa rodovia asfaltada, nos trechos mais Ãngrimes, que os outrora fora o caminho do bezerro, pessoas resolveram fazer pontes, viadutos, pistas duplas... que continuavam bastante sinuosas, tal qual o antigo caminho do bezerro. Os anos, as gerações se passaram... O caminho do bezerro fez chegar o progresso naquela região, que ainda abrigava parte da antiga floresta. E, hoje, tantas gerações depois, os velhos deuses da floresta ainda riem da ignorância e acomodação dos homens! O elefante e os cegos Chegou um grande circo a uma cidade. Quatro cegos, passeando juntos, aproximaram-se do local onde o domador estava cuidando de um dos elefantes do circo. Pararam e perguntaram ao domador se podiam tocar no animal, ao que ele concordou.
Um deles muito alto, de braços erguidos, bateu na orelha do elefante; outro encontrou a barriga; outro apalpou a perna e o outro segurou a tromba. Logo depois voltaram ao seu passeio satisfeitos, porque agora sabiam o que era um elefante. E foram conversando, até que pararam numa pracinha, assentaram-se e começaram a discutir sobre o elefante: - Elefante é apenas uma espécie de ventarola grande, felpuda no meio, e rugosa - disse o cego alto. - Nada disso - retrucou o que examinou a tromba: - Eu examinei cuidadosamente o bicho. Trata-se de um tubo maleável, pesado, forte e que se movimenta o tempo todo. - Tudo errado! - falou o que tocara na perna. - Eu constatei que é uma pilastra firme e grossa. - Eu acho que vocês estão loucos - corrigiu o que apalpara a barriga - Não perceberam que o elefante é como um enorme casco de um navio, áspero e vivo!? E as discussões foram até altas horas, sem é claro, chegarem a nenhuma conclusão. Afinal cada um teve uma percepção isolada. |




