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O Poder das Metáforas PDF Imprimir E-mail


O padre teimoso

Existia um padre, que morava numa cidadezinha, onde todos o conheciam pela sua teimosia e obstinação.

Numa certa ocasião, começou a chover e era tanta água que logo tudo foi ficando alagado. Durante dias, a chuva castigava tudo e a todos. A enchente derrubou casas, pontes, escolas. A polícia interveio e começou a fazer a retirada das pessoas para a cidade vizinha e para abrigos improvisados, pois a situação já era de calamidade pública.

Todos foram saindo, até que ficou só o padre. Ele não admitia abandonar a igreja. Veio o corpo de bombeiros tentar tirá-lo e ele se recusou a sair. Vieram outras pessoas de barco tentar pega-lo e ele não foi. Enquanto isso, a igreja estava sendo coberta pelas águas. Cada vez mais ele subia para um pavimento superior. A polícia apareceu de helicóptero, para resgatá-lo, pois ele já estava na torre da igreja e água estava quase chegando lá. Mesmo assim, ao jogarem uma corda-escada, ele não quis subir até o helicóptero. Todas as vezes que alguém tentou salvá-lo, ele, categoricamente, afirmava, confiante:

- O meu Deus não me abandonará. Ele não me deixará morrer.

Enfim todos os esforços foram empreendidos para salvar o padre, e ele rejeitou todos. Ficou sozinho na torre, até que a água cobriu tudo e ele, naturalmente, foi arrastado pela correnteza e morreu.

Pela sua história de vida terrena, teve o direito de ir para o céu. Ao chegar lá, foi logo marcando um encontro com Deus. Chateado, ele falou:

- Mas, Deus, estou tão decepcionado! Porque o Senhor não me salvou? Eu que acreditava que o Senhor não me deixaria morrer... Por que fui abandonado?

Deus ouviu e respondeu:

- Filho, eu enviei barco, helicóptero, polícia, corda... fiz de tudo para salvá-lo, mas você não quis.




O feixe de lenha

Conta-se que um próspero fazendeiro, dono de muitas propiedades, estava gravemente enfermo. Algo que lhe preocupava muito era o clima de desarmonia que reinava entre seus quatro filhos. Pensando em dar-lhes uma lição, ele chamou os quatro para fazer-lhes uma revelação importante.

Ao chegarem à casa do pai, viram-lhe assentado numa cadeira de balanço. O pai chamou-os apra mais perto e comunicou-lhes a seguinte decisão:

- Como vocês sabem, eu estou velho, cansado e creio que não me resta muito tempo de vida. Por, isso chamei-os aqui para avisá-los que vou deixar todos os meus bens para apenas um de vocês.

Os filhos, surpresos, entreolharam-se e ouviram o restante que o pai tinha ainda para lhes dizer:

- Vocês estão vendo aquele feixe de gravetos ali, encostados naquela porta? Aquele que conseguir partir o feixe no meio, apenas com as mãos, este será o meu herdeiro.

Cada um deles teve sua chance de tentar quebrar o feixe, mas nenhum, por mais esforço que fizesse, foi bem sucedido na sua tentativa. Indignados com o pai, que lhes propusera uma tarefa impossível, começaram a reclamar. Foi quando o fazendeiro pediu o feixe e disse que ele mesmo iria quebrá-lo. Incrédu-los, os filhos deram o feixe de gravetos ao pai, que foi retirando, um a um, os gravetos, quebrando-os, separadamente, até não restar um único graveto inteiro. E depois concluiu:

- Eu não tenho o menor interesse em deixar os meus bens para só um de vocês. Eu quero, na verdade, que vocês, juntos, sejam sucessores do meu trabalho, com garra, dedicação e, acima de tudo, repletos de amor.

Disse ainda:

- Enquanto vocês estiverem unidos, nada poderá por em risco tudo que construí para vocês. Nada, nem ninguém os quebrará. Mas, separadamente, vocês são tão frágeis quanto cada um desses gravetos.