| O Poder das Metáforas |
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Os dons de Deus Um dia, um homem entrou numa loja e, estupefado, viu um anjo atrás do balcão.
Maravilhado com aquela visão, perguntou: - Anjo, o que vendes? O anjo respondeu: - Todos os dons de Deus. O homem voltou a perguntar: - E custam caro? E a resposta do anjo foi: - Não. É de graça... é só escolher. O homem, todo feliz, olhou toda a loja e viu jarras de vidro de fé, pacotes de sabedoria, caixa de felicidade... Não estava acreditando que poderia adquirir tudo aquilo. - Por favor, embrulhe, para mim, muito amor de Deus, bastante felicidade, abundante perdão d'Ele, amor ao próximo, paciência, tolerância... O anjo anotou o pedido e foi separar os produtos. Ao retornar, entregou-lhes vários pacotinhos, que cabiam na palma da mão do homem. Espantado, ele indagou: - Como pode você me dar apenas esses pacotinhos?! Eu quero levar uma grande quantidade dos dons de Deus. O anjo respondeu: - Querido amigo, na loja de Deus nós não vendemos frutos. Apenas sementes. Carinhos quentes Era uma vez um casal que se chamava Antonio e Maria. Tinham dois filhos e moravam felizes, numa cidadezinha do interior. Naquele lugar, todos, ao nascer, recebiam um saquinho de carinhos. Cada vez que uma pessoa colocava a mão no saquinho, retirava de lá um carinho quente. Esses carinhos quentes faziam as pessoas sentirem-se aconchegantes e cheias de amor pelas outras.
Todos ali sabiam que quando uma pessoa não recebia carinhos quentes, ela corria o sério risco de pegar uma doença, que as fazia murchar e morrer. Era muito fácil receber carinhos quentes! Bastava pedir a alguém. A pessoa que dava o carinho quente, colocava a mão na sacolinha, retirava de lá o carinho, que se expandia com uma luz, que podia ser colocada no ombro, na cabeça ou no colo de quem estava recebendo o carinho quente. Escondia numa caverna, uma bruxa má que estava muito chateada porque naquela cidade ninguém ficava doente, para comprar os seus unguentos. Além do mais, os carinhos quentes eram distribuÃdos a todos, de graça e, por isso, o acesso era livre. Assim, eram todos felizes. Então, a bruxa inventou um plano malvado, que faria as pessoas comprarem os seus remédios. Vestiu seu disfarce e, numa manhã, foi até a casa de Antonio, fingindo ser sua amiga. - Olha Antonio, veja os carinhos que Maria esta dando aos filhos. Se ela continuar assim, vai consumir todos os carinhos com as crianças e, com o tempo não sobrará nenhum carinho para você. Perplexo, Antonio perguntou: - Quer dizer, então, que não é sempre que existe um carinho quente na sacola? - Claro que não. Respondeu a bruxa - O mais grave e a notÃcia que vou lhe dar em primeira mão, porque sou sua amiga: todos os carinhos quentes estão acabando. Cada pessoa tem que economizar o seu carinho e só usar quando for numa ocasião muito importante. Preocupado, Antonio começou a reparar cada vez que Maria dava um carinho a alguém ou aos filhos. Começou a se queixar para ela, alegando que ela dava mais carinho para os filhos e amigos do que para ele. Aos poucos Antonio reservou seus carinhos quentes apenas para Maria e em doses homeopáticas. As crianças percebendo a ausência de carinhos, começaram, também, a economizar os seus. Dia após dia, todos foram ficando mesquinhos. Rapidamente, a história de que os carinhos quentes iriam acabar, tomou conta da cidade. Todos passaram a guardar seus carinhos. Assim, aos poucos, as pessoas foram ficando doentes e, cada vez mais gente ia comprar remédios com a bruxa. Assutada com o crescimento da cliente a bruxa começou a vender carinhos falsos, que imitavam perfeitamente os carinhos quentes, mas não surtiam os mesmos efeitos. Enganada as pessoas não morreriam, mas continuariam a comprar seu unguentos e poções. A situação ficou grave, porque, a cada dia, havia menos carinhos quentes, e esses ficaram valiosÃssimos. As pessoas, então, tentavam de tudo para consegui-los. Antes da chegada da bruxa, as pessoas se juntavam nas calçadas, em grupos de três, cinco, até mais, para darem carinho umas à s outras. Agora a situação estava tão grave que, se alguém desse um carinho quente para outra pessoa, logo se sentiria culpada. Assim, o comércio da venda de carinhos quentes falsos começou a crescer. As pessoas que não conseguiam encontrar parceiros generosos que lhes desse carinhos quentes, precisavam trabalhar para comprar carinhos falsificados. Então, naquela cidade, se multiplicaram as possibilidades de venda de carinhos. Até espinhos frios foram revestidos com uma cobertura branquinha e estofada, para imitar os carinhos quentes. Ah! Apareceram, também, os carinhos de plástico, que faziam as pessoas se sentirem bem, por alguns instantes, mas logo ficavam mal. Num belo dia, chegou à quela cidade uma mulher especial. Ela desconhecia a história do fim dos carinhos quentes e distribuÃa carinho a todos, de graça, mesmo quem não tivesse pedido. As crianças gostavam muito daquela mulher e passaram a chamá-la de pessoa especial. Aquela mulher dizia que, quanto mais carinhos as pessoas dessem umas à s outras, melhor elas se sentiriam. Era como uma recarga de novas energias, em forma de carinhos quentes. Os adultos, preocupados, fizeram uma lei dizendo ser crime distribuir carinhos quentes sem uma licença. Mesmo assim, as crianças daquele lugar, ainda hoje, teimam em trocar carinho com a pessoa especial. |




