| O Poder das Metáforas |
|
|
|
|
Pagina 4 de 17
Os sons da floresta Um rei mandou o seu filho estudar no templo de um grande mestre, com o objetivo de prepará-lo par ser um grande administrador.
Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre o mandou sozinho para a floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever os sons da floresta. Retornando ao templo, após um ano, o mestre lhe pediu para descrever os sons de tudo aquilo que conseguira ouvir. Disse o príncipe: - Mestre, pude ouvir o canto dos cucos, o roçar das folhas, o alvoroço do beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus. Ao terminar seu relato, o mestre pediu que o príncipe retornasse, novamente, à floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível. Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do mestre, pensando: - Mas eu já não distingui todos os sons da floresta? Por dias e noites ficou sozinho na floresta ouvindo, ouvindo, ouvindo... mas não conseguiu distinguir nada de novo, além dos sons já mencionados, anteriormente, ao mestre. Então, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo que ouvira antes. Quanto mais atenção prestava, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Pensou: - Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse. E, sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente. Quando retornou a templo, o mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir. Paciente e respeitosamente, o príncipe disse: - Mestre, quando eu prestei mais atenção, pude ouvir o inaudível som das florestas se abrindo, o som do sol aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da manhã. O mestre, sorrindo, acenou a cabeça, em sinal de aprovação, e disse: - Ouvir o inaudível é ter disciplina necessária para se tornar um grande administrador. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, os medos não confessados e as queixas silenciosas, um administrador pode inspirar confiança à sua equipe, entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada pessoa. - A morte de um país começa quando os líderes ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem mergulhar a fundo na alma dos seus liderados, para ouvir os seus sentimentos, desejos e opniões reais. É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, mas que tem o seu valor, pois é o lado do ser humano. - É preciso lembrar que atrás das máquinas sempre têm dois olhos, e atrás dos dois olhos tem um ser humano. O gole d'água Existia um homem que vivia insatisfeito, estressado e bastante infeliz, pelo relacionamento sofrível que tinha com a esposa. Todos os dias, ambos chegavam cansados dos seus respectivos trabalhos e o que acontecia entre os dois era um total desentendimento, desarmonia e, consequentemente, era impossível haver dialogo.
No momento em que ele chagava em casa, normalmente já encontrava a esposa que, indignada e não menos estressada com os afazeres do dia e mais o acúmulo do "terceiro expediente", começava a falar e reclamar, sem parar. O marido, por sua vez, não aguentava a pressão e, impaciente, respondia em cima de cada palavra - quer gostasse, quer não gostasse. Na verdade os dois não conseguiam se entender e ele, esbravejando, saía batendo a porta e só retornava bem tarde da noite. E, assim, aconteceu durante muito tempo. Um amigo, com o qual normalmente desabafava, aconselhou-a a procurar um homem que era tido como uma pessoa muito boa e capaz, especialista em aconselhamento de casais. Certamente, ele teria alguma solução para o seu problema com a esposa. Meio cético, o machucado marido foi procurar o tal homem. Chegando lá, deparou-se com um local muito bonito, uma casa simples, fincada em meio ao verde, pássaros soltos nas árvores, cânticos das cigarras e uma brisa suave, com cheiro de terra batida e verde silvestre. Foi ao encontro do homem e contou-lhe o seu problema com a esposa. Após ouvi-lo, o velho homem adentrou na casa e voltou com duas garrafas - uma maior e outra pequenina. As duas garrafas continham um líquido transparente. Entregou-as ao visitante e deu-lhe a seguinte orientação: - Mantenha com você, sempre, esta garrafinha pequena, cheia. No exato momento em que você for chegando em casa, tome um gole bem grande do líquido e fique com ele na boca, sem engolir, durante trinta minutos. Faça essa receita por dez dias consecutivos e, depois, volte aqui. O homem achou estranho, mas resolveu seguir à risca a orientação o outro. Foi embora e, como estava mesmo na hora de voltar para casa, percebeu que já era o momento de fazer o primeiro teste. De fato, no exato momento de entrar em casa, levou a garrafinha à boca e deixou o gole durante o tempo que o velho havia lhe ensinado fazer. Sua esposa fez o de sempre: começou a falar, reclamar, soltando "cobras & lagartos" e o marido, no seu desespero de querer responder não dizia nada. Ao final dos trinta minutos, ele engoliu e aí... tudo o que queria responder já não fazia mais sentido. Conversou outras coisas com sua esposa e até dormiram juntos. Durante todos os outros dias, repetiu a receita e lá pelo oitavo dia, a esposa recebeu-o com ar de preocupação: - Meu filho... o que é que você tem?! Eu fico o tempo todo falando sozinha, digo, digo e digo e você... nada, não reage, não fala. Por outro lado, eu tenho sentido que estamos conseguindo conversar. O que é que está acontecendo? Bem feliz agora, com os resultados alcançados, retornou no décimo primeiro dia à casa do velho. Lá chegando, indagou-lhe qual era o conteúdo milagroso que tinha lhe dado. O velho, então, respondeu: - Água... Com apenas um gole de água na boca, você consguiu fazer uma coisa que é o calo de muita gente: saber ouvir. |




