E, como começam todas as histórias infantis, Era uma vez... um mágico que gostava de criar carneiros
.
E quase todos os dias o mágico reunia o rebanho, escolhia um que estivesse mais gordo e o abatia, ali, na frente dos outros, para comercializar a carne no açougue da cidade.
Os carneiros, de tanto presenciar aquelas cenas, começaram a ficar apavorados, temendo que, a cada vez que viesse o mágico para reuni-los, chegasse a sua vez. E, de tanta preocupação, começaram a perder peso.
E isso passou a preocupar o mágico, pois prejudicava seus negócios. Homem esperto, resolveu hipnotizar os carneiros. Para um, fazia com que acreditasse ser um leão.
A outro, induzia-o a acreditar ser um cavalo. Outro, que era um cachorro. E daí por adiante, de forma que cada um dos carneiros ficou acreditando ser um animal diferente.
A cada vez que o mágico pegava um dos carneiros e o abatia, ali, pendurado na mesma árvore, os outros não ficavam incomodados. Tranquilos, ficavam pensando, descansados, que tal fato jamais aconteceria com eles, pois sabiam que o mágico só pegava carneiros. E eles não eram carneiros.
Eram outros bichos, mas não eram carneiros. Tinham noção de que alguma coisa de ruim estava acontecendo, mas, ora, porque se preocupar? Fosse o que fosse, certamente não era problema deles... E seguiam suas vidas, mansamente, enquanto o rebanho ia sendo dizimado.