O homem que não queria beber só

Alexandre, o grande, conduzia seu exército de volta para casa depois de grande vitória contra Porus na Índia. A região que cruzavam no momento era árida e deserta, e os soldados sofriam terrivelmente de calor, fome e, mais que tudo, de sede. Os lábios rachavam-se e as gargantas ardiam por falta de água. Muitos estavam prestes a se deixar cair no chão e desistir.

Um dia por volta do meio-dia, o exército encontrou um destacamento de viajantes gregos. Vinham montados em mulas, e carregavam alguns recipientes com água. Um deles, vendo o rei quase sufocar de sede, encheu um elmo nas mãos e olhou em torno de si. Viu os rostos sofridos dos soldados, que ansiavam, tanto quanto ele, por algo refrescante.

- Pode levar.

Disse ele.

- Pois se eu beber sozinho o resto ficará desolado, e você não tem o suficiente para todos.

E devolveu a água sem tomar uma gota. Os soldados, aclamando seu rei, puseram-se de pé e pediram que o lider continuasse a conduzi-los adiante.

Extraído de: O livro das virtudes II - O compasso moral.

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