A janela

Em um hospital haviam dois idosos que ocupavam o mesmo quarto e nenhum dos dois podia se locomover. Nesse quarto havia um beliche. Havia também só uma campainha, que ficava ao alcance do paciente que ocupava a parte de baixo do beliche. Quando o senhor de cima precisava pedia ao de baixo, que apertasse a campainha. O idoso de baixo apertava a campanhia e sempre perguntava para o companheiro de cima, o que ele via pela janela. Todas as manhãs ele perguntava:

- Como está o dia hoje?

- Está lindo, o sol brilha, os passáros pulam nos galhos das árvores, as flores desabrocham.

À tardinha:

- E agora o que você vê?

- Vejo passáros procurando se aninhar nas árvores, vejo o entardecer, o céu escurecendo...

Mais à noite:

- E agora, amigo, o que está vendo?

- As estrelas brilhando no céu...

E assim foi, durante um bom tempo. Um belo dia, o amigo de baixo pergunta:

- Como está a nossa manhã?

- Não sei, não abri a janela, não estou bem. Por favor toque a campainha.

- Abra a janela quero saber se chove ou faz sol, como está o dia.

- Por favor, toque a campainha, não estou me sentindo bem e não vou abrir a janela, pois nem tenho forças para isso.

O de baixo:

- Se você não abrir a janela, também não vou tocar a campainha.

E ai ficou só silêncio... Depois de alguns minutos sem mais nada ouvir tocou a campainha e quando o enfermeiro chegou, disse que estava estranhando, pois não ouvia mais nenhum ruído na parte de cima. O enfermeiro disse:

- Ele morreu, o senhor agora irá receber um novo companheiro.

Respondeu o ancião:

- Bom eu já estou aqui a mais tempo, portanto tenho direitos adquiridos. Quero passar para o beliche de cima.

E pensou, agora eu vou abrir a janela todos os dias.

O enfermeiro concordou e o transferiu para cima. Quando lá em cima, levou um choque. Não havia janela alguma. O outro via o mundo pela janela do seu coração.

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