Era uma vez um casal de namorados. Eles eram bastante populares entre seus amigos e eram identificados pelas suas duas características bem marcantes - ele a pessoa mais persistente e ela, a mais teimosa.
Aproximaram-se e resolveram se casar. Após a cerimônia de casamento, ofereceram uma grande festa na própia casa onde iriam morar. Fim de festa e lá pelas tantas os convidados foram saindo, um a um. O jovem casal estava exausto. Começaram a tirar os sapatos, gravata, paletó, vestido... quando o marido observou que estavam realmente sozinhos, tudo aceso e o último convidado havia deixado a porta principal aberta.
O marido falou para a esposa:
- Querida, por favor, vá fechar a porta, pois o último convidado deixou-a aberta e está entrando uma corrente de ar frio.
A esposa, igualmente cansada, respondeu:
- Porque eu deveria ir?! Estou tão cansada quanto você. Além do mais a distância é a mesma... Vá você fechar a porta!
- Ah! Então é assim que são as coisas? Bastou colocar o anel no dedo para você se transformar numa grande preguiçosa.
Ela retruca e diz:
- Mas, que atrevido você é! Não faz nenhum dia que estamos casados e você já está me xingando e dando ordens! Já estou quase me arrependendo da besteira que fiz, casando-me com você.
Durante alguns intermináveis segundos, cada um ficou remoendo seus pensamentos, imaginando o pior do outro, até que a esposa teve uma idéia:
- Nenhum de nós quer fechar a porta. Proponho, então um desafio: aquele que falar primeiro, a partir de agora, irá fecha-la.
Assim o casal ficou sielencioso.
Ele pensava:
- Que mulher atrevida... Amanhã mesmo peço o divórcio! Como pude me enganar tanto!
Ela pensava:
- Graças a Deus descobri a tempo o tipo com quem me casei! Se eu me descuidasse, ele já começaria a mandar em mim. Por nada no mundo eu vou fechar a porta!
Assim ficaram, de frente um para o outro, sem pronunciarem uma palavra, sequer.
Nesse tempo, dois ladrões aproveitaram a porta aberta, entraram, pegaram tudo o que puderam e nenhum dos dois fizeram qualquer movimento para impedir. Até jóias que estavam neles foram tiradas e nenhuma palavra ou reação foi esboçada. Ela pensava:
- Não é possível que ele não vai fazer nada para impedir. Não posso acreditar que ele vai ficar parado!
Ele pensava:
- Porque ela não grita, não pede socorro? Será possível que vai ficar alheia, como se nada estivesse acontecendo?!
Um dos vizinhos, percebendo movimentos estranhos, chamou a polícia e avisou do assalto. Quando chegou a viatura, os ladrões já haviam saído. Os policiais entraram e um deles tentou interrogar o casal. Não obtendo resposta, começou a ficar irritado e gritou para o marido, dando-lhe uns solavancos.
Ao ver a cena do marido na mão do policial, a mulher não se conteve e gritou:
- Não se atreva! Ele é meu marido e nós é que fomos roubados.
- Ganhei - gritou o marido.
- Agora, vá fechar a porta!