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O papel em branco. As letras ao vento.
Algumas se arriscam a falar de você.
Elas se juntam e formam coisas lindas que vêm da sua alma, do seu olhar.
Mas logo são poucas, não chegam a empolgar.
Porque é tão difícil?
Porque faltam palavras?
Porque elas nunca parecem expressar o suficiente que sentimos por você?
Talvez porque você não caiba no suficiente.
Sua grandiosidade extrapola qualquer fronteira, qualquer barreira, infinitamente.
Fico a lembrar de suas características para achar um viés que caiba no papel.
Lembro da sabedoria expressa nas palavras doces e também nas duras.
Da sua alegria de criança.
Da sua tristeza em sentir as dores alheias.
Da sua perspicácia.
Até da sua incompetência admitida, que nos faz sorrir.
Da sua amizade.
Ah, a sua amizade.
Ta aí algo que por hora consigo definir: ela não tem preço!
Até de longe, quando precisamos de você, basta chamá-la, apenas no pensamento.
Sua generosidade é ímpar.
Sua inquietação nada mais é do que a interpretação do “tudo agora ao mesmo tempo”, que vem desta cabeça pensante, pensante, pensante...
Como pode toda esta orquestra de acordes sublimes, com compreensíveis desafinos de sua porção humana, caber em tão pequena, e à primeira vista, tão frágil criatura?
Porque o que se vê com os olhos é mesmo esta porção humana.
Mas o que você nos mostra com o coração é muito mais mágico.
É muito mais místico. É muito mais divino.
Por isso, minha mestra, nossa deusa, temos orgulho de sermos seus anjos!


Sandra Moser

Jornalista e Escritora